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18/4/2022
Mente

Depressão na gravidez: relato de Britney Spears traz luz ao problema

Cantora, que está grávida do 3º filho, revelou já ter sofrido de depressão perinatal; saiba como identificar e tratar o transtorno.

Patrícia Resende
Imagens da cantora Britney Spears grávida e de flores que ela publicou em seu Instagram ao anunciar gestação

A solidão não está mais acabando com Britney Spears, como a norte-americana cantava em seu primeiro hit, “Baby One More Time”, lá em 1998. 

Mãe de dois adolescentes de seu primeiro casamento, a cantora anunciou estar grávida pela terceira vez, e contou uma experiência que até então era desconhecida e não foi compartilhada na época por causa de tabu: a depressão perinatal nas gestações anteriores. 

"As mulheres não falavam disso naquela época. Algumas pessoas consideravam perigoso se uma mulher reclamasse assim com um bebê na barriga. Mas agora as mulheres falam sobre isso todos os dias. Graças a Jesus nós não temos que manter essa dor em segredo”, disse em seu perfil no Instagram

O desabafo da cantora chama a atenção para os cuidados com a saúde mental das mulheres na gestação e no pós-parto. 

Identificar e tratar os sintomas depressivos que podem aparecer no período é essencial para não comprometer a formação de vínculos emocionais entre a mãe e a criança. 

Depressão perinatal: o que é?

A depressão perinatal é um transtorno mental que pode ocorrer durante ou após a gravidez. As mulheres experimentam sentimentos de extrema tristeza, ansiedade e cansaço, que podem dificultar a realização de tarefas diárias, incluindo cuidar de si mesmas ou de outras pessoas.

Até alguns anos atrás, muitas mulheres nessa situação evitavam falar sobre como se sentiam, principalmente por medo de serem vistas como desleixadas, fracas ou com problemas de caráter. Mas hoje já se sabe que essa condição não é provocada pela gestante ou puérpera. E quanto mais se fala sobre o assunto, mais casos têm sido identificados

A depressão perinatal se deve a uma combinação de fatores biológicos, emocionais e ambientais. Entre eles estão estresse, sobrecarga de tarefas profissionais e domésticas, sedentarismo, alimentação inadequada, falta de apoio do parceiro ou da família, isolamento e privação do sono. 

As mulheres correm maior risco de desenvolver o distúrbio se tiverem histórico pessoal ou familiar de depressão ou de transtorno bipolar. O mesmo vale para as mulheres que já experimentaram depressão perinatal em uma gravidez anterior, como ocorreu com Britney. 

As alterações hormonais no período são vistas como fator principal em casos de depressão pós-parto, que atinge 1 a cada 4 mães em situação de vulnerabilidade socioeconômica no Brasil, segundo pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Crédito imagens: Reprodução/Instagram

Sinais de depressão na gravidez e no pós-parto

A depressão perinatal é marcada por sintomas persistentes e não deve ser confundida com o estado emocional do período conhecido como “baby blues”. 

O termo é usado para descrever as mudanças de humor e os sentimentos de preocupação e infelicidade que muitas mulheres vivenciam nas primeiras duas semanas depois de terem um bebê. 

Na maior parte dos casos, a angústia regride porque se deve, principalmente, ao cansaço relacionado às mudanças hormonais, à privação do sono e aos cuidados permanentes com o recém-nascido.  

Os casos de depressão durante a gestação ou após o parto compreendem sintomas como:

- Tristeza persistente, ansiedade ou sentimento de “vazio” 

- Irritabilidade

- Sentimentos de culpa, inutilidade, desesperança ou desamparo

- Perda de interesse ou de prazer em hobbies e outras atividades 

- Fadiga ou diminuição anormal de energia

- Inquietação 

- Dificuldade em se concentrar, lembrar ou tomar decisões

- Dormir em excesso ou ter dificuldade para dormir

- Apetite anormal e alterações de peso 

- Dores, cãibras ou problemas digestivos 

- Dificuldade de formação de vínculo emocional com o bebê

- Dúvidas sobre a capacidade de cuidar do bebê

- Pensamentos sobre morte ou sobre ferir a si mesma ou ao bebê

As mulheres que apresentarem sintomas devem procurar um profissional médico, que, seguindo protocolos, poderá identificar se o quadro é realmente de depressão perinatal. 

A partir da avaliação, o profissional poderá encaminhar a gestante ou puérpera para aconselhamento psicoterápico, principalmente se identificar risco aumentado para o desenvolvimento de depressão.

Como tratar a depressão na gravidez ou no pós-parto

O tratamento da depressão perinatal é importante para a mãe e para o bebê, já que o transtorno pode afetar a saúde de ambos e, principalmente, comprometer a formação de vínculos afetivos.

A grávida com depressão tem dificuldade de se envolver emocionalmente com o feto e, após o nascimento, pode deixar de realizar cuidados importantes para o desenvolvimento da criança, como amamentar, cumprir o calendário de vacinas, propiciar estímulos físicos e dar amor e carinho.

O principal tratamento para a depressão perinatal é a terapia. O uso de medicamentos vai depender de avaliação médica para que sejam prescritos antidepressivos que não afetem o desenvolvimento da criança. 

Um estudo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com 1064 gestantes, evidenciou os benefícios da intervenção psicossocial. 

Entre as grávidas participantes, cerca de 120 apresentavam depressão e mais de 260 se encontravam em grupo de risco para o transtorno. As mulheres deprimidas ou em risco foram divididas em dois grupos: as que aceitaram passar pela terapia e as que permaneceram no estudo, mas se recusaram a participar dos encontros. As demais fizeram parte de um grupo controle.

Com os dados referentes à primeira avaliação, feita três meses após o parto, foi possível identificar diferenças significativas entre os grupos. As mães deprimidas que não se submeteram ao acompanhamento geraram crianças com desenvolvimento motor significativamente menor, quando comparadas a outras crianças da mesma idade. 

O estudo também mostrou que a terapia ajudou a impedir que as gestantes do grupo de risco avançassem para a depressão pós-parto. Entre elas, foi identificada prevalência semelhante de casos em relação ao grupo controle (4 a 5%). 

Familiares e amigos devem integrar rede de apoio 

Os familiares e amigos podem ajudar no tratamento, fazendo parte de uma rede de apoio. Além de estarem abertas a ouvir a mulher relatar seus sentimentos, sem fazer julgamentos, as pessoas próximas podem se oferecer para auxiliar nos cuidados com o bebê e nas tarefas domésticas. 

É muito importante que a mulher consiga descansar sempre que possível e que encontre um tempo para si mesma. Alimentação balanceada e atividade física regular contribuem muito para que ela obtenha equilíbrio emocional. 

A cantora Britney Spears sabe disso e contou que pretende adotar um estilo de vida saudável para que a terceira gestação prossiga bem. “Desta vez, eu vou fazer yoga todos os dias. Espalhando muita alegria e amor", destacou a cantora.

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