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29/9/2021
Corpo

Rotina com festas e excessos pode afetar o coração. Saiba como cuidar da saúde

Energético, álcool e privação de sono são comuns para quem vive na cidade que nunca dorme, mas você já pensou no efeito deste comportamento?

Brunna Mariel
Imagem de um homem acompanhado por um copo de whisky e um movimento acelerado para ilustrar festas e comportamento de risco

João* trabalha pelo menos 8 horas por dia. Fazer horas extras já é uma rotina comum. Ele passa boa parte do tempo sentado e se estressa mais do que deveria. 

Durante o tempo livre, encontra os amigos para se divertir e viver na cidade que nunca dorme. Jovem e destemido, ele bebe energético para se manter ativo noite adentro na capital paulista. 

O álcool e o cigarro também são seus companheiros. Ele diz que usa socialmente. Não são as únicas drogas: eventualmente ele utiliza as substâncias ilícitas que um ou outro amigo levam. 


João é um nome fictício, mas sua rotina já foi observada pela Ciência. Segundo o Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina (EPM/ Unifesp), ele representa 27,9% dos homens de 18 a 24 anos de São Paulo, que tinham o perfil de comportamento de risco nas festas noturnas antes da pandemia. 

Com o relaxamento do distanciamento social, a aceleração da vacinação e o caminho para o controle da pandemia, há uma perspectiva de retorno às grandes festas. Um momento similar ao vivido pelo país pós-gripe espanhola, em 1919, quando as pessoas voltaram a sair de casa. A tendência é que esse comportamento de aglomerar e retomar celebrações seja mais recorrente e aumente entre todas as idades.

E quem sofre com isso é o coração. Os hábitos de uma vida regada a festas podem trazer inúmeras complicações para o órgão, assim como para o sistema cardiovascular como um todo e a qualidade de vida em diferentes fases da vida e a longo prazo. 


“As doenças cardiovasculares aparecem quando há multifatores. A junção da bebida, do tabaco, as drogas e a privação do sono conduzem a uma situação que pode influenciar no funcionamento do coração e nos vasos sanguíneos independentemente da idade”, aponta o médico de família e comunidade Michel Duailibi, da gestora de saúde Alice. 


Privação de sono


Um estudo norte-americano publicado no American Journal of Hypertension mostrou prevalência 50% maior de hipertensão nos pacientes que dormem menos de 6 horas por noite. 


O cardiologista Fernando Ribas, da comunidade de saúde da Alice, aponta o motivo dessa relação “Quando passamos tempo sem dormir, como em uma festa, o corpo ativa vários mecanismos, por exemplo, a liberação de neurotransmissores e hormônios do estresse, como o cortisol”. 


Para o médico de família Michel Duailibi, a questão é encontrar um equilíbrio entre o divertimento e horas dormidas diárias.  “Durante o sono, a frequência cardíaca e a pressão arterial são reduzidas. Esse processo é muito importante para a saúde do coração, que consegue se regenerar e se preparar para um novo dia”, descreve o médico de família sobre os efeitos de dormir. 


Ter uma rotina de sono é uma forma de diminuir os riscos cardiovasculares e equilibrar o organismo diante dos excessos de estresse que o organismo sofre. “Antes de ir para uma festa, trabalhar até mais tarde ou passar por longas jornadas acordado, é importante refletir: em que momento vou descansar? Não podemos pular essa etapa”, explica Duailibi.


Leia Mais: Água ou Coca-Cola? A melhor bebida para cuidar da sua saúde


Relação de energético com o coração 


O energético já foi estudado em diferentes situações pela Ciência. O que se sabe é que essa bebida pode elevar a pressão arterial diastólica e sistólica e desencadear anormalidades do ritmo cardíaco até quatro horas após a ingestão de quatro latinhas.  


“O energético, apesar de não ser alcoólico, é carregado em cafeína e outras xantinas (estimulante cerebral), que atuam no coração de maneira semelhante à adrenalina”, explica o cardiologista Fernando Ribas. 


Em abril de 2021, o Bristish Medical Journal publicou um relato de caso de um jovem de 21 anos sem histórico cardiopático familiar com um alerta sobre o consumo de energético, reforçando que cada vez pessoas mais jovens estão sendo impactadas pelo consumo da bebida sem compreender os efeitos nocivos à saúde.


“Há uma crença de que o fato de a bebida não ser alcoólica não impacta a saúde. Contudo, o líquido contém doses de cafeína e açúcar que agem no sistema nervoso central e podem trazer prejuízos a longo prazo, que vão além do fato de se sentir agitado. Há impacto no coração, no sistema nervoso, digestivo”, enumera o médico de família Michel Duailibi. 


Ele destaca que a sensação de sentir acelerado ou até mesmo agir de forma impulsiva é comum, mas a atenção deve ser dada ao momento que o corpo demonstrar sonolência. “Esse sinal deve ser respeitado e é hora de ir para casa.”


O álcool 


Cerveja, gin, vodka, cachaça, saquê, tequila. Apesar de serem diferentes, as bebidas presentes nas festas têm efeitos peculiares na saúde do ser humano, de acordo com a sua fabricação, mas quem mede os efeitos é quem a ingere e controla sua quantidade. 


Isto porque há uma hipótese recente de que o álcool com moderação pode ajudar a acalmar os sinais de estresse no cérebro e no coração, mas o álcool em excesso causa riscos cardíacos. Um publicação da Sociedade Europeia de Cardiologia apontou que  o uso de álcool em adultos jovens está associado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos


“O álcool é diretamente tóxico para a fibra cardíaca, podendo muitas vezes gerar casos de insuficiência cardíaca em abusadores recorrentes. Estudos em jovens adultos mostram maior rigidez dos vasos sanguíneos em quem consome mais álcool. Portanto, é essencial reforçar que não se deve fazer uso rotineiro, em especial não ultrapassar 100g (gramas de álcool) por semana”, explica o cardiologista Fernando Ribas. 


Para ficar atento: <text_pink> Não há consenso entre as entidades de saúde sobre a dimensão exata de uma dose de bebida alcóolica, ou seja, o uso moderado ainda é um comportamento sem definição.  A Organização Mundial da Saúde define 10 gramas de etanol puro como dose padrão para mensuração do consumo de álcool. A OMS também recomenda não exceder mais de duas doses por dia e não beber regularmente. <text_pink>


O álcool é também estudado como uma causa importante de hipertensão arterial, doença crônica que afeta 30% da população adulta em todo o mundo, segundo a OMS.


Arte: Bruno Belluomini/Shutterstock



• Alimente-se de maneira diversificada e equilibrada

• Exercite-se 3 a 5 vezes por semana, com um mínimo de 150 minutos por semana de atividade leve a moderada, ou 75 minutos de atividade intensa. 

• Avalie com um profissional de saúde a pressão arterial, colesterol e glicemia. 

• Durma bem, pelo menos 7h a 9h de sono por noite. 

• Busque aliviar o estresse no dia a dia com atividades de lazer ou praticando um hobby. 

• Evite consumo excessivo de bebidas alcoólicas e energéticos. 

• Afaste-se completamente do consumo de drogas ilícitas.


Drogas ilícitas 


A cocaína é responsável por 25% dos Infartos Agudos do Miocárdio (IAM) em pacientes entre 18 e 45 anos de idade, segundo os dados do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). O infarto por uso de cocaína pode ocorrer em um período que pode variar de um minuto a quatro dias após a utilização da substância.


Entre 2010 e 2019, o número de pessoas que usam drogas aumentou 22%, em parte devido ao crescimento da população mundial mais jovem, de acordo com o relatório das Nações Unidas.


Entre janeiro e junho deste ano, foram apreendidas 150 toneladas de entorpecentes em todo o estado de São Paulo, o maior volume em 21 anos, segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública.


A maconha é a droga ilícita mais prevalente entre os jovens, mas o ecstasy, LSD e o MDMA, que recebeu até apelidos como  “Michael Douglas” e “Madonna”, também estão presentes nas festas frequentadas pelo público mais jovem. 


“Essas drogas afetam profundamente o sistema cardiovascular, podendo gerar arritmias malignas, infartos fulminantes e morte súbita. Além disso, podem danificar as coronárias no longo prazo, gerando mais precocemente o envelhecimento dos vasos. Um evento como qualquer destes pode gerar sequelas para a vida toda”, alerta o cardiologista Fernando Ribas.


O MDMA é um estimulante que promove percepção sensorial aprimorada que tem raros relatos de overdoses letais. Os efeitos do uso da substância são pressão alta, desmaios, ataques de pânico e até perda de consciência e convulsões. 


Para quem usa e abusa dessas substâncias, a recomendação dos dois médicos é única: busque novas formas de divertimento. “Se tiver problemas com esses tipos de substância, procure ajuda. Hoje, há diversas formas de tratamento”, aponta Ribas. 


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