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13/1/2022
Corpo

Histórico familiar como aliado da saúde

Conhecer o histórico de saúde e os hábitos de vida dos seus familiares pode ajudar a prevenir doenças, como o câncer.

Patrícia Resende

O local de nascimento dos nossos pais, tios e avós costuma ser motivo de curiosidade, assim como a carreira profissional que seguiram ou características da personalidade. 


Saber as nossas origens faz parte do processo natural de construção de identidade. As histórias de vida contadas pelos nossos antepassados nos ajudam a entender aspectos da nossa formação e visão de mundo. 


Mas o histórico familiar também pode ser valioso para a nossa saúde física. Conhecer hábitos que atravessam gerações ou doenças enfrentadas por nossos parentes diretos permite identificar possíveis predisposições ou a necessidade de mudanças no estilo de vida. 


“É muito importante se apropriar desse conhecimento. Às vezes temos dificuldade de obter dados da família com relação à saúde. Mas são informações que dizem muito do cuidado de atenção à saúde do paciente”, afirma o médico geneticista Diogo Soares, da comunidade de saúde da Alice


Saúde familiar: quais informações são úteis?

De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o histórico de saúde da família é um registro das doenças e condições de saúde dos membros.

“Você e seus familiares compartilham genes. Vocês também podem ter comportamentos em comum, como hábitos de exercício e o que gostam de comer. Vocês podem morar na mesma área e entrar em contato com coisas semelhantes no ambiente. A história da família inclui todos esses fatores, e qualquer um deles pode afetar sua saúde”, resume o CDC.

Para organizar as informações familiares, a sugestão é fazer uma árvore genealógica, incluindo avós, pais, tios, irmãos, primos, filhos e sobrinhos. Para cada integrante, deve-se anotar as principais condições médicas, doenças identificadas e idade em que foi feito o diagnóstico. No caso dos parentes que já faleceram, a causa da morte e a idade também são relevantes.

Também devem ser observados e registrados hábitos de vida, como alimentação e fumo, por exemplo, para prevenir a obesidade ou o desenvolvimento de doenças relacionadas ao cigarro. 


Com as informações, o médico pode fazer um diagnóstico mais preciso, recomendar condutas a serem adotadas e indicar exames de rastreamento com antecedência, quando necessários. 


Fatores de risco do câncer


Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas. Os fatores ambientais de risco incluem o fumo, a exposição inadequada ao sol, o consumo exagerado de bebida e o contato com agentes químicos ou poluentes. 


Os casos de câncer hereditários representam entre 10% e 20% do total. Os tumores costumam apresentar características como idade mais precoce ao diagnóstico, maior agressividade, ocorrência de tumores raros e/ou múltiplos tumores em um mesmo indivíduo e histórico de recorrência na família, com uma alteração genética sendo transmitida de geração em geração. 


“No caso do câncer de próstata, por exemplo, o tumor costuma se manifestar depois dos 60 anos de idade. Se o paciente é diagnosticado antes dos 55 anos, é classificado como câncer em idade jovem e já é um ponto de atenção”, explica o médico geneticista Diogo Soares. 


Para o câncer de mama ou de cólon, histórias de câncer na família relatadas por pacientes para parentes de primeiro grau “são precisas e valiosas para avaliações de risco de desenvolvimento da doença”, segundo estudo publicado pelo The Journal of the American Medical Association.


O tipo de câncer também pode indicar provável herança genética. Tumores no ovário ou no pâncreas possuem probabilidade maior de terem causa genética, abrangendo 25% desses casos.


“Toda mulher com diagnóstico de câncer de ovário e todo paciente com diagnóstico de câncer de pâncreas, independentemente da idade ou de haver caso de câncer na família, devem ser automaticamente encaminhados para a realização de aconselhamento genético”, afirma o médico. 


Diagnóstico precoce de câncer


O diagnóstico precoce do câncer aumenta as chances de cura. Nos casos em que a avaliação genética for recomendada, o médico geneticista determinará os exames a serem feitos e poderá utilizar análise direcionada do DNA para orientar o tratamento. 


“Determinadas alterações genéticas favorecem determinados esquemas de tratamento. A depender do resultado da avaliação genética, há um alinhamento com a oncologia clínica”, afirma o doutor Diogo Soares. 


O teste genético nos casos de câncer hereditário também indica se o paciente tem um risco maior de desenvolvimento de outros tumores ao longo da vida. 


A prevenção alcança ainda as novas gerações da família, que podem ter que passar por aconselhamento genético para identificar se herdaram a alteração genética do paciente diagnosticado. 


O médico geneticista Diogo Soares alerta, entretanto, que mesmo que a avaliação não aponte mudanças nos genes, os parentes de primeiro grau devem iniciar a prevenção mais cedo. 


“Hoje a gente só conhece 40% do genoma humano. A avaliação genética tem limitações. Temos uma premissa na medicina: sempre que se tem um diagnóstico de câncer, os parentes de primeiro grau precisam iniciar um acompanhamento diferente daquele órgão afetado dez anos antes do diagnóstico. É uma variável independente da avaliação genética”, finaliza. 



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